sábado, 28 de dezembro de 2013

Ela dava-me a mão e não era preciso mais nada. Bastava-me para sentir que era bem recebido. Mais do que beijá-la, mais do que deitarmo-nos juntos, mais do que qualquer outra coisa, ela dava-me a mão e isso era amor.

Mario Benedetti

sábado, 23 de novembro de 2013

FRASE

 
 
 
"Os gatos são poemas ambulantes. Pisam na Terra como se estivesse no céu e seus olhos atravessam as fronteiras dos mundos invisíveis."

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A origem da burka

 
 
 


A burka, traje islâmico que cobre o rosto e corpo da mulher, tem a sua origem num culto à divindade Astarte, deusa do amor, da fertilidade e da sexualidade, na antiga Mesopotâmia, muito anterior ao surgimento do islamismo.

Em homenagem à deusa do amor físico, todas as mulheres, sem exceção, tinham de se prostituir uma vez por ano, nos bosques sagrados em redor do templo da deusa.

Para cumprirem o preceito divino sem serem reconhecidas, as mulheres de alta sociedade acostumaram-se a usar um longo véu em proteção da sua identidade.

Com base nessa origem histórica, Mustapha Kemal Atatürk, fundador da moderna Turquia (1923 – 1938), no quadro das profundas e revolucionárias reformas políticas, económica e culturais, que introduziu no país, desejoso de acabar de uma vez por todas com a burka, serviu-se de uma brilhante astúcia para calar a boca dos fundamentalistas da época.

Pôs definitivamente um fim à burka na Turquia com uma simples lei que determinava o seguinte:

«Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestir como quiserem, no entanto todas as prostitutas devem usar a burka».

No dia seguinte, ninguém mais viu a burka na Turquia.

Essa lei ainda se mantém em vigor.


(Recebido por e-mail)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O retrato de Mónica

 
"O Retrato de Mónica"

"Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da "Liga Internacional das Mulheres Inúteis", ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.

Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem--se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.

Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.

De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.

Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, "qualquer distracção pode causar a morte do artista". Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.

Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.

Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.

O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.

É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.

E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.

Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.

Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima e toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.

Não é o desejo do amor que os une. O que os une é justamente uma vontade sem amor.

E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio, o mais firme fundamento do seu poder."
 
Sophia de Mello 
 

sábado, 5 de outubro de 2013

MIMOSA

"MIMOSA"

Um jornal noticiou:
"Perdeu-se uma cadelinha.
É branca, toda branquinha,
Com uma fita cor-de-rosa.
É bem mansinha e atende
Pelo nome de "Mimosa".
"Gratifica-se" - dizia -
"Com generosa quantia
A quem entregar"... e dava
O endereço afinal.
O homem larga o jornal
E se põe a comentar:
- "Não há dúvida, é você,
Pois isso logo se vê:
Branquinha, de fita rosa ...
Então, seu nome é Mimosa?
Assenta bem pra você!"
E afagando a cachorrinha,
que no seu colo se aninha:
- "Ora essa, é muito boa!
Deixaram você à toa
E depois vêm com a cantiga?
Mas isso não, minha amiga,
Não vou entregar é nada,
O castigo é merecido.
Se fosse bem vigiada,
Você não tinha fugido.
E quem foi que a socorreu
Quando andava aí perdida?
Portanto você nasceu
Foi nesse dia, querida!
Triste, suja, enlameada,
Faminta, correndo à toa,
Podendo ser esmagada
Aos pés de qualquer pessoa...
E eu salvei-a do perigo!
Não lhe dei comida, abrigo
E tudo, de coração?
Pois dizem que é generosa
A tal gratificação!
Mas isso a mim não me tenta,
Jogo o dinheiro na venta
De quem me tirar você,
Pois o seu dono sou eu.
O antigo dono seu...
Bem, há de se consolar!
Pegue a gratificação
E corra, e compre outro cão,
Que cães não hão de faltar,
Com você eu é que fico!
Capaz de ele ser bem rico,
E ter de tudo na vida,
Uma família querida.
Mas eu sozinho, solteiro...
E do "metal" nem o cheiro!
Escuta aqui, ó tetéia,
Posso ser um vagabundo,
Mas não há ouro no mundo
Que mude aqui minha idéia.
Mas toda vez lá saía
A notícia no jornal:
O outro não desistia
De encontrar o animal.
E cada dia aumentava
O prêmio pela Mimosa.
Cem mil reais andava,
Oferta bem generosa!
O homenzinho então lia,
A cachorrinha afagando
E bem alto, comentando:
- "És uma jóia!" - E ria.
"Que prêmio por seu sumiço!
Deixe porém que eu lhe diga:
Você, você, minha amiga,
Vale bem mais que isso!"
Como entendesse, Mimosa
Abana a cauda vaidosa.
Os dias se sucediam,
E sempre o preço subiam
Pela cachorra perdida.
E o homem punha-se a rir:
- "A coisa está divertida!"
Fazia já quinze dias
Que a cadelinha fugida
Vivia uma outra vida.
Não faltando à condição
De seu sexo volúvel,
Espera ali, no portão,
Novo dono e pressurosa
Salta lambendo-lhe a mão.
E ele ri satisfeito
Aconchegando-a ao peito
Com carinho e com ternura,
Começa então a leitura.
Mas súbito empalidece
Hoje ele não escarnece
Treme na mão o jornal...
Dessa vez o homem não riu
Pegou Mimosa e saiu
Foi entregá-la afinal.
É que não fala em dinheiro
A notícia nesse dia,
Apenas isto dizia:
"Pede-se à alma bondosa,
Que encontrou a Mimosa,
Que a entregue por piedade.
Sua dona é pequenina,
Tem seis anos a menina,
E adoeceu de saudade."
Autora: Magdalena Léa
Livro: "A Criança Recita"
leonor

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

Poeminha sentimental

Poeminha sentimental

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Mario Quintana

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

“Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço. Uma fita dando voltas? Se enrosca, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer lugar onde o faço.E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual aos pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso… Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser um laço.”


 ~Mário Quintana~

sábado, 27 de julho de 2013

CANÇÂO

 
Fernando Pessoa


CANÇÃO

Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!

Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!

Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

HOJE ESTOU ASSIM...



Sabem porque estou assim? Por nunca mais ter tido um simples comentário dos meus amigos/amigas... A solidão dói muito!!!!!.....
ESPERO-VOS! Beijinhos....

sábado, 13 de julho de 2013

PARABÉNS, SUSHI!

E agora é a vez de vos mostrar a nossa gatinha SUSHI que completa hoje o seu primeiro aniversário. Parabéns, querida amiga! Adoramos-te!


Beijinhos.......

quinta-feira, 20 de junho de 2013

PARABÉNS, FILHO

 
 

PARABÉNS AO MEU QUERIDO FILHO PELO DIA DE ONTEM. MUITAS FELICIDADES! AMO-TE!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

POESIA

O meu olhar é nítido como um girassol



O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro

sábado, 8 de junho de 2013

AMIGOS

                                     
Poema de Machado de Assis


                                                  AMIGOS


> Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
> Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
> Amigo a gente sente!

> Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
> Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
> Amigo a gente entende!

> Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
> Porque amigo sofre e chora.
> Amigo não tem hora pra consolar!

> Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a
> realidade.
> Porque amigo é a direção.
> Amigo é a base quando falta o chão!

> Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
> Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
> Ter amigos é a melhor cumplicidade!

> Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
> Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!



> Machado de Assis

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DEFICIÊNCIAS


DEFICIÊNCIAS 
Mário Quintana

'Deficiente' 
é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. 
'Louco' 
é quem não procura ser feliz com o que possui. 
'Cego' 
é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. 
'Surdo'
  é aquela que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês. 
'Mudo'
 é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. 
'Paralítico' 
é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda. 
'Diabético'
  é quem não consegue ser doce.   
'Anão' 
é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: 

' A amizade é um amor que nunca morre. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Poesia

Queria ter um dia
só pra comer porcaria:Sorvete, chocolate e bombom.
Contar os dias de alegria e fantasia.
Querendo por querer.
Não é uma maravilha ?Jogar videogame, jogar bola,
E depois ir à escola.
Queria ser criança a vida inteira,
E nunca acabar a brincadeira.
Mas ser criança não é tão bom assim,
Todo mundo manda em mim !
Sei que devo aproveitar,
Sou criança, quero brincar!



DEBORAH GOULART VISNADI (11 anos)

domingo, 5 de maio de 2013

DIA DA MÃE

Poemas Dia da Mãe
“Poema dedicado à mãe”
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto do coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueces-te muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha – queres ouvir-me?
Às vezes ainda sou o teu menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal…
Mas – tu sabes a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim,
E deixo as rosas.
 
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade

domingo, 31 de março de 2013

QUEM ME DERA SER UM GATO



Quem me dera ser um gato,
Para ser da noite companheira,
E amiga da preguiça.
Ter medo de banheira,
Correr atrás dos ratos,
E caçar as borboletas.
A solidão contemplar,
E com um olhar decifrar
Todo mistério da vida.
Quando me cansasse
Voltaria aos braços de meu dono,
Pra ganhar um afago, um carinho.
Teria no meu focinho gelado,
Todas as inquietações da humanidade.
Quem me dera ser um gato,
Pra viver na boêmia,
Respirar melancolia,
E por fim virar poesia.
 
 
Stéfani Agostini

sexta-feira, 29 de março de 2013

DEDICO AOS MEUS AMIGOS

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.
Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.
Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.
Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.







Cecília Meireles, in 'Poemas (1951)'


Leonor

quarta-feira, 27 de março de 2013

PASCOA

Para todos vós|

quinta-feira, 21 de março de 2013

História breve de um boneca de trapos

 

 

 
 
 
Era uma vez uma boneca
Com meio metro de altura.
Insinuante, bonita,
Mas, pobremente vestida.
Um ar triste – uma amargura
Diluída no olhar …
Grandes olhos de safira,
E um sorriso combalido
Como flor que vai murchar.
Quase a meio da vitrine
Lá daquela capelista
Essa boneca de trapos
A ninguém dava na vista!
Ninguém via o seu sorriso!
Ninguém sequer perguntava:
Quanto vale a «marafona»?
Quanto querem pela «Princesa»? ..
Passaram anos. – Com eles,
Foi a minha mocidade
E cresce a minha tristeza.
- Quem é que dá p’la Boneca
Que os meus olhos descobriram
Lá naquela capelista
Quase à esquina do jardim? …
Quem dá por Ela? Ninguém.
E quantas almas assim!
António Botto

sexta-feira, 8 de março de 2013

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


UM BEIJO PARA TODAS AS MULHERES!
 
 


quarta-feira, 6 de março de 2013

CONSTRUÇÃO DA FELICIDADE




Não há no mundo quem não deseje uma vida de felicidades. Sonhamos e desejamos que nossos dias sejam de alegrias intensas e plenas. Anelamos que o sorriso nos venha fácil, que os dias nos sejam leves e que seja de venturas o nosso caminhar. É natural que assim seja. Somos seres fadados à felicidade e esse é o sentimento que encontra na alma os mais profundos significados. Porém, na ânsia da felicidade, imaginamos que temos que buscá-la em algum ponto, que a encontraremos em algum momento, que a atingiremos em um dia determinado. Lembramos o soneto do poeta Vicente de Carvalho que afirma que a felicidade é uma árvore de dourados pomos, porém que não a alcançamos, porque sempre está onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos. Ao imaginar a felicidade como uma meta a alcançar nos esquecemos que, na verdade, a felicidade é caminho a se traçar, é trilha a se percorrer, é história a se construir. Quando imaginamos que a felicidade chegará um dia, perdemo-nos nos dias e não enxergamos a felicidade que nos chega. Ou não será felicidade poder deparar-se com um pôr-de-sol tingindo de vermelho um céu que há pouco era de um azul profundo? Há tantos que desejariam ver um pôr-de-sol… Quanta felicidade pode haver em escutar as primeiras palavras de um filho, uma declaração de amor de quem queremos bem, ou ainda, o assovio do vento chacoalhando suave as folhas da árvore? Há tantos que nada escutam, nem ouvem ou percebem… Como somos felizes por poder pensar, criar, sonhar e, num piscar de olhos, viajar no mundo e no espaço, conduzidos pela imaginação, guiados pela mente! São tantos que permanecem carcereiros de si mesmos em suas distonias mentais, nos desequilíbrios emocionais… Preocupamo-nos tanto em buscar a felicidade, que nos esquecemos que já temos motivos de sobra para sermos felizes. E, efetivamente, não nos damos conta que a felicidade não está em chegar, mas que ela mora no próprio caminhar. Ser feliz é ter o olhar de gratidão perante a vida, de entendimento do seu propósito, da percepção de que ela se mostra sempre generosa a cada um de nós. Ser feliz não é negar que na vida também haverá embates, lutas e desafios cotidianos. Afinal, esses são componentes de nosso viver e, naturalmente, podem trazer dificuldades e dissabores. Porém, ser feliz é também perceber que os embates produzem amadurecimento, que as lutas nos fazem mais fortes e nos oferecem aprendizado. Assim, de forma alguma vale a pena ficarmos esperando o dia em que nossa felicidade se completará. Ser feliz é compromisso para hoje, que se inicia pelo olhar para as coisas do mundo, passa pelo coração em forma de reconhecimento pelos presentes que nos chegam, completa-se em gratidão, oferecendo à vida o que ela nos dá em abundância.
 
 
Recebido por e-mail

segunda-feira, 4 de março de 2013

DESPEDIDA


Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor, neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora não resta de mim
o que seja meu
e quando tento o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,escrevo.

MIA COUTO

sábado, 9 de fevereiro de 2013

BOM FIM DE SEMANA!

 

Bom fim de semana meus amigos! Sabe tão bem descontrair...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A idade de ser feliz

  • A Idade de Ser Feliz

    Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
    somente uma época na vida de cada pessoa
    em que é possível sonhar e fazer planos
    e ter energia bastante para realizá-las
    a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

    Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
    e desfrutar tudo com toda intensidade
    sem medo, nem culpa de sentir prazer.

    Fase dourada em que a gente pode criar
    e recriar a vida,
    a nossa própria imagem e semelhança
    e vestir-se com todas as cores
    e experimentar todos os sabores
    e entregar-se a todos os amores
    sem preconceito nem pudor.

    Tempo de entusiasmo e coragem
    em que todo o desafio é mais um convite à luta
    que a gente enfrenta com toda disposição
    de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
    e quantas vezes for preciso.

    Essa idade tão fugaz na vida da gente
    chama-se PRESENTE
    e tem a duração do instante que passa.
     
     
     
     
    Desconhecido

    sábado, 2 de fevereiro de 2013

    BOM FIM DE SEMANA.....


     
    Bom fim de semana, Fadas do Lar!
     
     
    Leonor
     
    

    quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

    IKEA


    Crónica de Ricardo de Araújo Pereira!
     

      Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. 
    O que digo é que
    não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A
    questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles
    caros. Os problemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja.

      Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»?

      São ambiguidades que me deixam indisposto. Não saber a pronúncia
    correcta do nome da loja em que me encontro inquieta-me. E desconhecer
    o género a que pertence gera em mim uma insegurança que me inferioriza
    perante os funcionários. Receio que eles percebam, pelo meu
    comportamento, que julgo estar no «I quê à», quando, para eles, é
    evidente que estou na «Iqueia».

      As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também
    conceptuais. Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis
    baratos, o que não é exactamente verdadeiro.
      O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo
    correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de
    transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos.

      Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava
    bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e
    que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos.

      Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta
    de carga para carregar a tralha toda até à registadora.

      Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá
    sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada.

      O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho
    doze estantes e três hérnias. É claro que há aspectos positivos: as
    tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga
    os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes
    se sinta que não faltará muito para que isso aconteça.
      Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente
    receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na
    Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que
    considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira
    engraçada.

      Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que
    comprei chegaram a casa em duas vezes.

      A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a
    segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no
    trabalho que tinha sido iniciado pela primeira.

      Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou
    com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me
    importaria. Mas como sou eu, aborrece-me um bocadinho.
      Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem
    umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não
    encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio
    moderno.
      Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é
    este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e
    junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções.
      Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro.  E os
    suecos que montem tudo, se quiserem receber.



    Leonor

     

    domingo, 27 de janeiro de 2013

    Sorria! Está a ser filmado!

    Não há nada como um belo sorriso para começar o seu dia!
    Sorria.... pode estar a ser filmado!!!!!





    Leonor
     

     

    quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

    Andorinha negra

     
     
     
     
     
     
     
     

     Leonor         

    terça-feira, 15 de janeiro de 2013

    CANÇÃO


    CANÇÃO

    Sol nulo dos dias vãos,
    Cheios de lida e de calma,
    Aquece ao menos as mãos
    A quem não entras na alma!

    Que ao menos a mão, roçando
    A mão que por ela passe,
    Com externo calor brando
    O frio da alma disfarce!

    Senhor, já que a dor é nossa
    E a fraqueza que ela tem,
    Dá-nos ao menos a força
    De a não mostrar a ninguém!



    FERNANDO PESSOA




     Leonor    



     

    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

    QUANDO TE VI

     
     


     



    A manhã era clara, refulgente

     Uma manhã dourada. Tu passaste. 

     Abriu mais uma flor em cada haste. 

    Teve mais brilho o sol, fez-se mais quente. 


     

     E eu inundei-me dessa luz ardente. 

     Depois não sei mais nada. Olhei ... Olhaste ... 

     E nunca mais te vi ... - Raro contraste - 

     A madrugada transformou-se em poente. 


     

     Luz que nasceu e apenas cintilou ! 

     Deixou-me triste assim que se apagou, 

    às vezes fecho os olhos; vejo-a ainda ... 


     

     E há tanto sol dourando esses trigais ! 

    Olhaste, olhei, fugiste ... Ai nunca mais, 

     nunca mais tive outra manhã tão linda ! 


     

     VIRGÍNIA VITORINO




            Leonor