domingo, 7 de dezembro de 2008

HOMENAGEM A FLORBELA ESPANÇA




Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.



Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.



Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.



Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.



O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.



Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.



Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.



Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.



Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.



No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.”




Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.





FONTES:http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/numerodois/tl3.html
http://purl.pt/272/2/index.html
http://www.torre.xrs.net/
Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret
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Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

DESABAFO




A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.

Victor Hugo


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Sinto que o meu grito é um grito no escuro, onde não encontra eco nem resposta. E desespero. É desconfortável sentir esta impotência de não poder fazer nada perante situações que não compreendo, mas que me afectam profundamente. Uma familiar requereu o auxílio da Santa Casa da Misericórdia para internar a mãe num Lar. Depois de algum tempo e de muita insistência, conseguiu uma resposta. Chegou, finalmente a hora de assinar documentos e a mãe deu entrada no Lar no dia 1 de Novembro. Estamos quase no fim do mês e a Santa Casa ainda não assinou a parte que lhe compete. Quer isto dizer que ainda não comparticipou, o que leva a filha a ter de arcar com despesas que estão muito para além das suas posses. Esta situação não é do desconhecimento da senhora assistente social que, pura e simplesmente, se esquiva a atender telefonemas para, pelo menos,explicar o que se passa. Sendo assim, a internada continua sem a garantia de ter medicação assegurada, assim como sem a comparticipação da Santa Casa da Misericórdia na despesa referente ao Lar. Como é óbvio, estou a entrar numa fase de desespero pois, além de não ter conhecimentos que me possam valer na resolução deste assunto, também não sou a Senhora -Doutora- Qualquer-Coisa, nem possuo um nome sonante tal como Vasconcelos e Cunha ou outro qualquer que tenha o poder de abrir portas. Como tal creio que só me resta uma saída: postar-me à entrada da Santa Casa da Misericórdia e só saír de lá depois de obter uma resposta. É assim que estas coisas funcionam cá no nosso país?


domingo, 16 de novembro de 2008

CLAUDE MONET



1840 - 1862
Claude Oscar Monet nasceu em Paris, na França, em 1840. Quando tinha cinco anos a família se mudou para Le Havre, uma cidade portuária na desembocadura do rio Sena.

Tanto os pais como os professores o consideravam um menino indisciplinado. Gostava muito de desenhar e na escola fazia caricaturas dos professores. Aos quinze anos já ganhava algum dinheiro com isso: cobrava 10 francos por cada desenho

Um dia conheceu o pintor Boudin e os dois se tornaram grandes amigos. Boudin viu seus desenhos e o encorajou a pintar. Com Boudin, Monet aprendeu também a
pintar ao ar livre

Entusiasmado com a idéia de ser pintor Monet foi para Paris com o propósito de estudar pintura, matriculando-se na Académie Suisse. Em Paris conheceu Pissaro e Coubert, que também estavam começando a pintar. O serviço militar o obrigou a interromper os estudos. Foi enviado para a Argélia , no norte da África, onde permaneceu por quase um ano, até que uma tia conseguiu o seu desligamento. Porém ela exigiu uma condição: que completasse seus estudos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DIA MUNDIAL DA DIABETES


DIABETES
Equilibrar o organismo
OUTRAS CURAS
Por Pedro Choy


A diabetes caracteriza-se pela deficiente produção de insulina, associada a insulino-resistência. A medicina chinesa conhece a doença há três mil anos, designa-a por xiao ke ("desperdiçar a sede") ou por tang niao bing ("urina doce"). Há mais de 150 milhões de diabéticos em todo o Mundo, um número que duplicará até 2025, segundo a Organização Mundial de Saúde. Em Portugal 6,7% da população adulta sofre de diabetes, mas os doentes não diagnosticados serão mais de 700 mil. A doença classifica-se em tipo I e II. Apenas 10% dos daibéticos padecem do tipo I. Esta forma aparece abruptamente, na infância ou na adolescência. Os sintomas passam por : poliúria (excesso de urina), (poliaquiúria) necessidade de urinar muitas vezes, polidípsia (excesso de sede), polifagia (excesso de fome), mal-estar geral, emagrecimento rápido (no tipo I) e ganho de peso (maioria no tipo II), palpitações, impotência sexual, pressão arterial alta e alterações visuais, que podem levar à cegueira, entre outros. O tipo II inicia-se por isulino-resistência. Frequentemente é heriditária e surge, em regra, após os 40 anos. Neste caso o pâncreas produz insulina e o problema está na incapacidade de utilização desta pelo organismo.


A medicina chinesa ajuda os diabéticos há milhares de anos. Mesmo assim, o evoluir da ciência também lhe troxe benefícios, por exemplo: a descoberta de uma nova fórmula, 100% à base de ervas, mais consentânea com o conhecimento actual da doença, descoberta pelo professor Cai Baode (Universidade de Chengdu RPC). Chama-se "tang niao ning kou fu ue" (decocção para atenuar a diabetes) e acabou de ser legalizada em Portugal como suplemento alimentar, sendo disponibilizada em clínicas de medicina chinesa. Claro que as ervas para a diabetes são importantes, mas os benefícios da acupuntura não são menosprezáveis. Em conjunto, os dois métodos ajudam o diabético a estebelezar as glicémias e, por conseguinte, a viver mais e, sobretudo, com qualidade.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

BEIJO IMORTAL

" Há imagens que se eternizam. Memórias que se recuperam. Lugares que permanecem mágicos. Sentado num banco de esplanada, o francês Robert Doisneau captou um dos mais belos momentos de sempre. Um jovem casal de apaixonados beija-se no cenário parisiense dos anos cinquenta. Transeuntes caminham. Carros passam. Pensamentos voam. O amor encontra a sua metáfora, materializa-se no toque e permanece intocável no tempo.
A imagem foi pensada pelo conhecido fotógrafo. Ainda assim, parece real. Espontânea. Uma cena roubada, retirada de um filme. Os modelos agem com naturalidade. As pessoas continuam a passar, tentando desviar o olhar do casal enamorado.
Robert Doisneau utiliza deliberadamente técnicas que sugerem uma imagem inocente e simples.Capturada no momento certo. Contudo, é incrível como foi cuidadosamente construída. A máquina posiciona-se. A abertura do diafragma determina pouca profundidade. O longo tempo de exposição e a baixa velocidade concedem o efeito de um fundo desfocado. O resultado é mágico. Porque esse é o valor de uma imagem.
Um retrato da realidade que pode ser a nossa.Identificamo-nos. Porque o casal somos nós. E sonhamos com a possibilidade do acontecimento."

Texto Lara Vaz

https://www.malhanga.com/musicafrancesa/becaud/au_revoir/

Sonho Meu: relembre a abertura da novela