sexta-feira, 20 de novembro de 2020


 *

'Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.'
MIGUEL TORGA

terça-feira, 14 de setembro de 2010

VAI AONDE TE LEVA O CORAÇÃO


"Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa costuma correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e estar sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás, cobrir-te de flores e de frutos.E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.".

Parte final do Livro de Susana Tamaro-Vai aonde te leva o coração.
Entre o coração e a razão por vezes há grandes lutas... Então qual seguir?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ISABEL DO CARMO




No dia 4 de Setembro, ás 11 horas da manhã, minha amiga Isabel partiu. Deixou boas lembranças,exemplos duma mulher corajosa, sensível e com um coração cheio de amor. Com ela iniciei o meu blogue, com ela aprendi muitas coisas. Foi Professora de Inglês na Universidade Internacional Para A Terceira Idade, onde era amada por todos os alunos. Foram três anos de luta, três anos de ausência, três anos de saudade em que esteve sempre nos nossos corações, e onde vai viver, pois a Isabel continua viva para nós.









quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

******




"Na vida existem coisas boas e coisas ruins, para mim existem apenas boas, porque tenho você."
Stephanie Moss

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ESPERE UM POUCO!!!




Pelo sim, pelo não, e porque mais vale prevenir do que remediar, reserve um pouco da sua atenção a este texto que recebi via mail, e depois faça como eu, verifique na Net:


ATENÇÃO IMPORTANTE E
URGENTE
O Produto desinfectante de nome STERILUIM GEL utilizado para desinfectar as mãos devido á gripe A não tem a sua composição escrita como a lei obriga. Tive conhecimento directo de tal situação quando uma senhora que, após ter limpo o rabinho do neto com toalhetes, foi desinfectar as mãos com o tal produto.
Passado umas horas as mãos da senhora abriram feridas e bolhas negras que denotam uma reacção química irreversível. O Médico do Hospital CUF Descobertas de imediato constatou com o Laboratório que 45 minutos depois estava no Hospital mas, sem a composição....... o que até agora não deu.

Isto impossibilita um mais eficaz tratamento. Já se sabe no entanto que os danos são de tal forma graves que são incuráveis.
A senhora ficou com as mãos completamente deformadas e em chaga. Por favor não usem este produto e se quiserem confirmem na net que também não consta lá a composição.





https://www.malhanga.com/musicafrancesa/becaud/au_revoir/

Sonho Meu: relembre a abertura da novela