quarta-feira, 31 de agosto de 2005

ONDE ESTÁS?...


Preciso de ti na minha vida para viver..
Preciso do teu riso para ter alegria...
Preciso de me ver reflectida nos teus olhos para saber que existo...
Preciso que tuas mãos me chamem...
Preciso dos teus beijos para me sentir amada...
Preciso do teu amor para me sentir mulher...
Precido do teu ombro para encostar minha cabeça...
Preciso de ti para preencher minha solidão...
Preciso de saber que pensas em mim...
Preciso de saber que a nossa saudade é uma só...
Preciso de fazer parte do teu sonho...
Preciso que precises de mim...
Preciso de ti...
Onde estás?...

terça-feira, 30 de agosto de 2005

O PORTÃO


Quando eu era pequenina
que feliz eu era então!
Vivia num mundo encantado,
de tudo o mais separado
atrás de um velho portão...
(mas eu cresci... que pena!)

Obrigaram-me a ír - eu não queria!
E ninguém notou neste dia
(quem sabe não se importou?)
que o meu coração morria
quando o velho portão que rangia
atrás de mim se fechou.

E, a partir deste dia
meu mundo ficou partido
meu mundo ficou dividido
dentro do meu coração:
lado de lá - felicidade
lado de cá - saudade
no meio - o velho portão...


Luciana Nerung

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

SE CHORAS...









Se choras porque não consegues ver o sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas.



Tagore


domingo, 28 de agosto de 2005

POESIA DE ALBERTO CAEIRO

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando da direita para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não de fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro

8/3/1914

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

O SÓTÃO DAS NOSSAS RECORDAÇÕES


O mundo imaginário da nossa infância é povoado pelas coisas mais belas e fantásticas que hoje recordamos com um sorriso de saudade.

Quantas vezes dizemos: "quando eu era miúda...". É verdade, quando nós éramos miúdas sabiamos brincar ao "faz-de-conta" e a nossa imaginação não tinha limites. Eramos tudo o que queriamos ser e a nossa tendência era de imitar os adultos. Que pressa tínhamos de crescer!

Brincávamos às casinhas, às mães e filhas, aos maridos e "maridas", aos homens do autocarro, aos merceeiros, aos reis e raínhas, às professoras e eu sei lá que mais! Mas num cantinho do nosso "sótão" das recordações encontramos sempre algo de especial que nos marcou e que nunca esquecemos: uma foto, um objecto, um simples brinquedo arrumado há muito.

No meu "sótão" está a Milucha, uma singela boneca de pano. Estou a vê-la... A Milucha era de pano e, tanto quanto me lembro, tinha um chapéu preto, olhos azuis muito grandes e trancinhas amarelas feitas de linha. Foi da minha irmã e passou para mim, o que quer dizer que já fazia parte da família.

Tinha outras bonecas melhores e mais bonitas mas a minha preferida era aquela, vá lá saber-se porquê. As crianças são imprevisíveis... Minha amiga inseparável suportou sempre com o mesmo sorriso no seu rosto de trapo todas as minhas oscilações de humor, ora sendo alvo das maiores demonstrações de ternura, ora sendo agredida sem dó nem piedade.É verdade, o que a pobre sofreu quando me dava a fúria e a atirava contra a parede, chamando-lhe nomes...

"Por que fazes isso, Nini? - perguntava a minha irmã. "Porque sim!" E pronto, não havia mais explicações! Porque sim ou porque não é a lógica infantil e está tudo dito!

Mas enfim, tirando essas coisas (criança também tem "crises"...) ela era a minha grande companheira e confidente. Sim porque eu falava muito com ela, enquanto lhe compunha as tranças e as enfeitava com laços. E, até para ficar com um ar mais saudável, acrescentava alguma cor às suas bochechas com lápis vermelho...

Depois cresci e a Milucha começou aos poucos a saír da minha vida, como é natural. No entanto, ainda hoje, tantos anos passados, recordo com carinho aquela boneca desengonçada e um pouco suja, companheira das minhas brincadeiras.

Todas as bonecas de trapo com tranças para mim são Miluchas, sempre Miluchas. Não lhes fica bem outro nome.

Aquela já não existe. Dei-a a uma garota que a cobiçou. Parece quase ingratidão...

Querida Milucha, quero que saibas, lá no mundo dos trapos do tempo, onde talvez ainda exista alguma ínfima partícula da tua alma de boneca, que te amei e amo porque foste a grande amiga e companheira do tempo em que eu ainda brincava ao "faz-de-conta".

PORTEM-SE BEM!


E antes que me esqueça novamente, aqui vai o meu voto de bom fim de semana para todos vós, amigas e amigos.

Mas olhem, portem-se bem...

Eu?... Eu vou fazer o possível...

Beijinhos!





quinta-feira, 25 de agosto de 2005

PENSAMENTO


"Sei que Deus não me dá nada que eu não possa suportar.
Só queria que Ele não acreditasse tanto em mim.".
Madre Teresa de Calcutá
Li, gostei e não resisti a colocar aqui. Espero que gostem também.

https://www.malhanga.com/musicafrancesa/becaud/au_revoir/

Sonho Meu: relembre a abertura da novela