quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O PRESÉPIO


Os primeiros presépios surgiram no século XVI, na Itália.


Data de 1567 o primeiro presépio feito numa casa particular, a da Duquesa de Amalfi, que tinha 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos Reis Magos e muitas outras cenas. Até ao século XVIII eram sobretudo as cortes que tinham presépios, feitos por artistas famosos.


No entanto, a celebração do nascimento de Cristo vem dos finais do século III, quando os peregrinos visitavam a gruta em que nasceu, em Belém. Pinturas, relevos e frescos ilustram, desde o século XIV, o nascimento de Jesus. E a primeira réplica da gruta onde teve lugar foi feita em Roma, três séculos mais tarde.


Em 1223 São Francisco de Assis, em vez de festejar a véspera de Natal na Igreja, como era hábito, fê-lo na floresta de Greccio. Mandou transportar para o local uma manjedoura, um boi e um burro, para melhor explicar a cerimónia às pessoas. Por isso é, muitas vezes, visto como o autor do presépio.


Inf.Net

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Simbologia do presépio

  • Gruta - imagem do Cosmos
  • Chão da gruta - Terra
  • Abóbada - Céu
  • Vaca - a mãe que nutre. Simboliza no Egipto a fertilidade
  • Burro - Saturno-2º. sol que é a estrela de Israel
  • Pastores - vigilante sempre desperto; sábio cuja acção é fruto de contemplação;é nómada - não tem raízes; simboliza a alma que, não sendo deste mundo, está de passagem.
  • Cordeiro - triunfo; renovação
  • Estrela-aponta o caminho para Jesus; concessão da Igreja e situa-se entre os fenómenos do nascimento de deuses
  • Magos - sábios; astrólogos
  • Belchior representa a raça branca
  • Gaspar representa a raça asiática
  • Baltazar representa a raça negra
  • Ofertas: ouro - como metal prefeito representa o conhecimento; sabedoria e é símbolo de realeza
  • Incenso - eleva a oração ao céu; reconhece Jesus como um deus
  • Mirra - simboliza a imortalidade. Usada também na conservação das múmias. Sofrimento de Jesus para dar a imortalidade aos seus seguidores.
  • Árvore de natal - a árvore sagrada dos celtas era o carvalho e nela penduravam maçãs. É substituído pelo abeto que, pela sua forma triangular, simboliza a Trindade.

Estes elementos foram colhidos numa aula de simbologia e achei interessante dar a conhecer.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

ONE MOMENT IN TIME

"

Música para um bom fim de semana!



(feche a música do blogue)


Each day I live

I want to be a day to give the best of me

I'm only one, but not alone

My finest day is yet unknown

I broke my heart for ev'ry gain

To taste the sweet, I face the pain

I rise and fall, yet through it all this much remains

I want

One moment in time

When I'm more than I thought I could be

When all of my dreams are a heart beat away

And the answers are all up to me

Give me one moment in time

When I'm racing with destiny

Then in that one moment of time

I will feel, I will feel eternity

I lived to be the very best

I want it all, no time for less

I've laid the plans

Now lay the chance here in my hands

Give me

chorus

You're a winner for a lifetime

If you seize that one moment in time

Make it shine

Give me

chorus

i will be, i will be free

sábado, 1 de dezembro de 2007

UM POETA POR SEMANA


Esta é a Cidade


Esta é a Cidade, e é bela.
Pela ocular da janela
foco o sémen da rua.
Um formigueiro se agita,
se esgueira, freme, crepita,
ziguezagueia e flutua.

Freme como a sede bebe
numa avidez de garganta,
como um cavalo se espanta
ou como um ventre concebe.

Treme e freme,
freme e treme,
friorento voo de libélula
sobre o charco imundo e estreme.
Barco de incógnito leme
cada homem, cada célula.
É como um tecido orgânico
que não seca nem coagula,
que a si mesmo se estimula
e vai, num medido pânico.

Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de água.
Tanto sonho! Tanta mágoa!
Tanta coisa! Tanta gente!
São automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descança,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.

Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta mágoa! Tanta gente!




António Gedeão

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"Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979). Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção. Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.".

terça-feira, 27 de novembro de 2007

NATAL...


Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! ……
E recebia-o contente ! …

Como outrora,
Eu quisera
Agora –-
Doce quimera –-
De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …

A minha melancolia …
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia a nua
De venturaA minha vida ! …

E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...



JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
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Relembrando a minha felicidade que se resumia ao conteúdo do sapato na chaminé...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

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E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
Sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 13 de novembro de 2007

UM POETA POR SEMANA

É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.
Em vez de corvos no chaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.
É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas velas o latido
do motor duma traineira.
Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa.




David Mourão Ferreira

Fado escrito pelo poeta expressamente para Amália Rodrigues

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Escritor e professor universitário português, natural de Lisboa. Licenciou-se em Filologia Românica em 1951. Foi professor do ensino técnico e do ensino liceal e, em 1957, iniciou a sua carreira de professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa. Afastado desta actividade entre 1963 e 1970, por motivos políticos, foi professor catedrático convidado da mesma instituição a partir de 1990. Entretanto, mantivera nos anos 60 programas culturais de rádio e televisão. Em 1963 foi eleito secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores e, já nos anos 80, presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Logo após o 25 de Abril de 1974, foi director do jornal A Capital. Secretário de Estado da Cultura em vários governos entre 1976 e 1978, foi também director-adjunto do jornal O Dia entre 1975 e 1976. Responsável pelo Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian a partir de 1981, dirigiu, desde 1984, a revista Colóquio/Letras, da mesma instituição. A sua carreira literária teve início em 1945, com a publicação de alguns poemas na revista Seara Nova. Três anos mais tarde, ingressou no Teatro-Estúdio do Salitre e no Teatro da Rua da Fé. Publicou as peças Isolda (1948), Contrabando (1950) e O Irmão (1965). Em 1950, foi um dos co-fundadores da revista literária Távola Redonda, que se assumiu como veículo de uma alternativa à literatura empenhada, de realismo social, que então dominava o panorama cultural português, defendendo uma arte autónoma. Em 1950, publicou o seu primeiro volume de poesia — Secreta Viagem. David Mourão-Ferreira colaborou ainda nas revistas Graal (1956-1957) e Vértice e em vários jornais, como o Diário Popular e O Primeiro de Janeiro. Foi poeta, romancista, crítico e ensaísta. A sua poesia caracteriza-se pelas presenças constantes da figura da mulher e do amor, e pela busca deste como forma de conhecimento, sendo considerado como um dos poetas do erotismo na literatura portuguesa. A vivência do tempo e da memória são também constantes na sua obra, marcada, a nível do estilo, por uma demanda permanente de equilíbrio, de que resulta uma escrita tensa, e pela contenção da força lírica e sensível do poeta numa linguagem rigorosa, trabalhada, de grande riqueza rítmica, melódica e imagística, que fazem dele um clássico da modernidade. Entre os seus livros de poesia encontram-se Tempestade de Verão (1954, Prémio Delfim Guimarães), Os Quatro Cantos do Tempo (1958), In Memoriam Memoriae (1962), Infinito Pessoal ou A Arte de Amar (1962), Do Tempo ao Coração (1966), A Arte de Amar (1967, reunião de obras anteriores), Lira de Bolso (1969), Cancioneiro de Natal (1971, Prémio Nacional de Poesia), Matura Idade (1973), Sonetos do Cativo (1974), As Lições do Fogo (1976), Obra Poética (1980, inclui as obras À Guitarra e À Viola e Órfico Ofício), Os Ramos e os Remos (1985), Obra Poética, 1948-1988 (1988) e Música de Cama (1994, antologia erótica com um livro inédito). Ensaísta notável, escreveu Vinte Poetas Contemporâneos (1960), Motim Literário (1962), Hospital das Letras (1966), Discurso Directo (1969), Tópicos de Crítica e de História Literária (1969), Sobre Viventes (1976), Presença da «Presença» (1977), Lâmpadas no Escuro (1979), O Essencial Sobre Vitorino Nemésio (1987), Nos Passos de Pessoa (1988, Prémio Jacinto do Prado Coelho), Marguerite Yourcenar: Retrato de Uma Voz (1988), Sob o Mesmo Tecto: Estudos Sobre Autores de Língua Portuguesa (1989), Tópicos Recuperados (1992), Jogo de Espelhos (1993) e Magia, Palavra, Corpo: Perspectiva da Cultura de Língua Portuguesa (1989). Na ficção narrativa, estreou-se em 1959 com as novelas de Gaivotas em Terra (Prémio Ricardo Malheiros), os contos de Os Amantes (1968), e ainda As Quatro Estações (1980, Prémio da Crítica da Associação Internacional dos Críticos Literários), Um Amor Feliz, romance que o consagrou como ficcionista em 1986 e que lhe valeu vários prémios, entre os quais o Grande Prémio de Romance da APE e o Prémio de Narrativa do Pen Clube Português, e Duas Histórias de Lisboa (1987). Deixou ainda traduções e uma gravação discográfica de poemas seus intitulada «Um Monumento de Palavras» (1996). Alguns dos seus textos foram adaptados à televisão e ao cinema, como, por exemplo, Aos Costumes Disse Nada, em que se baseou José Fonseca e Costa para filmar, em 1983, «Sem Sombra de Pecado». David Mourão-Ferreira foi ainda autor de poemas para fados, muitos deles celebrizados por Amália Rodrigues, tal como «Madrugada de Alfama». Recebeu, em 1996, o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.

https://www.malhanga.com/musicafrancesa/becaud/au_revoir/

Sonho Meu: relembre a abertura da novela