sábado, 27 de janeiro de 2007

A LUTA PELA VIDA


O fogo onde asso as castanhas aquece-me as mãos calejadas e a alma magoada. A vida não tem sido fácil, mas que fazer? Ela é assim mesmo, cheias de altos e baixos, e há que seguir em frente!

Ah! como eu gosto deste cheirinho!... É tão bom! Não gostam? Não o trocava pelo perfume mais caro destas "madamas" que por aqui passam!

Aquilo que ganho, junto à reforma, que mal dá para mandar cantar um cego,lá vai dando. Também não tenho grandes ambições! Desde que tenha uma sopa e um naco de pão, estou satisfeita. A idade não exige mais.O pior é quando não há saúde mas, graças ao Senhor, tenho sido rija! Apanha-se um bocado de frio, mas já estou acostumada. É preciso é mexer antes que o reumático ataque, e eu não quero ficar enferrujada! No Inverno vendo castanhas, e no Verão, gelados!

- Ó meninas, são quentes e boas!!!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

MUNDO VIRTUAL

*LÊ QUE VALE A PENA REFLECTIR!...

*Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesabem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.

Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regimenão é?Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um.

Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com aspiadas malucas.
Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de temposáureos.

- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muitoocupado, está bem?

Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.O peso na consciência, impede-me de o dizer.
Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele. Então sentou-se à minha frente e perguntou:

- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mail.
- O que são e-mail?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet(sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor você tem Internet?

- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.

- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar,trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza quele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar,apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.

- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual.
A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender ocorpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual não é senhor???

Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado.Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado senhor, você é muito simpático!"

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!




E-mail recebido hoje .

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

PENSAMENTO POSITIVO!


Se pensa que o seu emprego é o pior, veja! Não serve de consolação, mas pode fazê-lo sorrir! Então nem tudo está perdido. Ria, ria! Areja o dente, dá trabalho a não sei quantos músculos, ginastia a face, irriga o cérebro e torna o semblante mais atraente! Como vê, não perdeu tudo em vir aqui!

Esqueça este dia cinzento que está até perturbando o meu sistema nervoso, e pense que há sempre pior! Embora muitas vezes tenhamos a sensação de que o nosso destino é igual ao do rolo de papel... Desculpem... isto deve ser do tempo...

sábado, 6 de janeiro de 2007

VAMOS CANTAR AS JANEIRAS




Escritores famosos também recolheram quadras de Janeiras, foi o caso de Vitorino Nemésio (1901 - 1978)


Ó de casa, alta nobreza,
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!


Teni, ferrinhos de prata,
Ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
Fresquinhos, prá vossa dona.


Senhora dona de casa,
À ilharga do seu Joaquim,
Vermelha como uma brasa
E alva como um jasmim!


Vimos honrar a Jesus
Numas palhinhas deitado:
O candeio está sem luz
Numa arribana de gado.


Mas uma estrela dianteira
Arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
Os pastorinhos sem fala.


Dá-lhe calorzinho a vaca,
O carvoeiro uma murra,
A velha o que traz na saca,
Seus olho mansos a burra.


Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!


Já lá vem Dom Melchior
Sentado no seu camelo
Cantar as loas de cor
Ao cair do caramelo.


O incenso, mirra e oiro,
Que cheirais e luzis tanto,
Não valeis aquele tesoiro
Do nosso Menino santo!


Abride a porta ao peregrino,
Que vem de num longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve.


Acabou-se esta cantiga,
Vamos agora à chacota:
Já enchemos a barriga,
Sigamos nossa derrota!


Rico vinho, santa broa
Calça o fraco, veste os nus!
Voltaremos a Lisboa
Pró ano, querendo Jesus .

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

CERTEZA


De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...


Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...





Autor - Fernando Pessoa