quarta-feira, 31 de agosto de 2005

ONDE ESTÁS?...


Preciso de ti na minha vida para viver..
Preciso do teu riso para ter alegria...
Preciso de me ver reflectida nos teus olhos para saber que existo...
Preciso que tuas mãos me chamem...
Preciso dos teus beijos para me sentir amada...
Preciso do teu amor para me sentir mulher...
Precido do teu ombro para encostar minha cabeça...
Preciso de ti para preencher minha solidão...
Preciso de saber que pensas em mim...
Preciso de saber que a nossa saudade é uma só...
Preciso de fazer parte do teu sonho...
Preciso que precises de mim...
Preciso de ti...
Onde estás?...

terça-feira, 30 de agosto de 2005

O PORTÃO


Quando eu era pequenina
que feliz eu era então!
Vivia num mundo encantado,
de tudo o mais separado
atrás de um velho portão...
(mas eu cresci... que pena!)

Obrigaram-me a ír - eu não queria!
E ninguém notou neste dia
(quem sabe não se importou?)
que o meu coração morria
quando o velho portão que rangia
atrás de mim se fechou.

E, a partir deste dia
meu mundo ficou partido
meu mundo ficou dividido
dentro do meu coração:
lado de lá - felicidade
lado de cá - saudade
no meio - o velho portão...


Luciana Nerung

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

SE CHORAS...









Se choras porque não consegues ver o sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas.



Tagore


domingo, 28 de agosto de 2005

POESIA DE ALBERTO CAEIRO

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando da direita para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não de fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro

8/3/1914

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

O SÓTÃO DAS NOSSAS RECORDAÇÕES


O mundo imaginário da nossa infância é povoado pelas coisas mais belas e fantásticas que hoje recordamos com um sorriso de saudade.

Quantas vezes dizemos: "quando eu era miúda...". É verdade, quando nós éramos miúdas sabiamos brincar ao "faz-de-conta" e a nossa imaginação não tinha limites. Eramos tudo o que queriamos ser e a nossa tendência era de imitar os adultos. Que pressa tínhamos de crescer!

Brincávamos às casinhas, às mães e filhas, aos maridos e "maridas", aos homens do autocarro, aos merceeiros, aos reis e raínhas, às professoras e eu sei lá que mais! Mas num cantinho do nosso "sótão" das recordações encontramos sempre algo de especial que nos marcou e que nunca esquecemos: uma foto, um objecto, um simples brinquedo arrumado há muito.

No meu "sótão" está a Milucha, uma singela boneca de pano. Estou a vê-la... A Milucha era de pano e, tanto quanto me lembro, tinha um chapéu preto, olhos azuis muito grandes e trancinhas amarelas feitas de linha. Foi da minha irmã e passou para mim, o que quer dizer que já fazia parte da família.

Tinha outras bonecas melhores e mais bonitas mas a minha preferida era aquela, vá lá saber-se porquê. As crianças são imprevisíveis... Minha amiga inseparável suportou sempre com o mesmo sorriso no seu rosto de trapo todas as minhas oscilações de humor, ora sendo alvo das maiores demonstrações de ternura, ora sendo agredida sem dó nem piedade.É verdade, o que a pobre sofreu quando me dava a fúria e a atirava contra a parede, chamando-lhe nomes...

"Por que fazes isso, Nini? - perguntava a minha irmã. "Porque sim!" E pronto, não havia mais explicações! Porque sim ou porque não é a lógica infantil e está tudo dito!

Mas enfim, tirando essas coisas (criança também tem "crises"...) ela era a minha grande companheira e confidente. Sim porque eu falava muito com ela, enquanto lhe compunha as tranças e as enfeitava com laços. E, até para ficar com um ar mais saudável, acrescentava alguma cor às suas bochechas com lápis vermelho...

Depois cresci e a Milucha começou aos poucos a saír da minha vida, como é natural. No entanto, ainda hoje, tantos anos passados, recordo com carinho aquela boneca desengonçada e um pouco suja, companheira das minhas brincadeiras.

Todas as bonecas de trapo com tranças para mim são Miluchas, sempre Miluchas. Não lhes fica bem outro nome.

Aquela já não existe. Dei-a a uma garota que a cobiçou. Parece quase ingratidão...

Querida Milucha, quero que saibas, lá no mundo dos trapos do tempo, onde talvez ainda exista alguma ínfima partícula da tua alma de boneca, que te amei e amo porque foste a grande amiga e companheira do tempo em que eu ainda brincava ao "faz-de-conta".

PORTEM-SE BEM!


E antes que me esqueça novamente, aqui vai o meu voto de bom fim de semana para todos vós, amigas e amigos.

Mas olhem, portem-se bem...

Eu?... Eu vou fazer o possível...

Beijinhos!





quinta-feira, 25 de agosto de 2005

PENSAMENTO


"Sei que Deus não me dá nada que eu não possa suportar.
Só queria que Ele não acreditasse tanto em mim.".
Madre Teresa de Calcutá
Li, gostei e não resisti a colocar aqui. Espero que gostem também.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

MADRUGADA

No arabesco fantástico do fumo,
Nas sombras das árvores pelas estradas,
Há mistérios desconhecidos que presumo,
Há horas de amor, nunca olvidadas.

Na luz indecisa da madrugada
Despede-se um raio de lua cheia
Surge o clamor de uma alvorada
E há mais uma onda a rolar na areia.

Há sonhos belos diluídos em espuma,
Gritos de dor que se perderam na bruma,
Mãos sedentas que se fecham sobre o nada.

E eu, ser humano, cinza, podridão,
Rasgo o peito, elevo ao alto o coração
E vivo intensamente a Madrugada!

CESINA BERMUDES


Dra. Cesina Bermudes.

Tive o prazer e o privilégio de conhecer esta grande mulher. Pequenina de estatura mas com um coração sem fronteiras. Foi ela quem me acompanhou no decurso da minha gravidez e quem assistiu ao parto.

Ainda me recordo da frase que ela dizia sempre que recebia uma mulher grávida: "Gravidez não é doença!" Depois, com a maior alegria, dava-nos conselhos e vivia cada situação como se as crianças fossem dela. Na realidade, todas ficaram na história como "os bébés Cesina".

Costumava fazer uma reunião de grávidas em casa dela, onde também tinha o consultório, para nos mostrar com fotos e desenhos como o nosso organismo é e como funciona.

Quando surgia algum parto mais difícil e demorado não saía do lado das parturientes, chegando a dormir no chão ou em alguma cama desocupada na ocasião. Quando nos medicava, para que pudessemos começar logo a tomar o medicamento, "emprestava-nos" uns tantos comprimidos que depois lhe devolviamos. No fim, tudo o que sobrasse era-lhe entregue e destinava-se às menos favorecidas de quem ela cuidava com todo o carinho.

Era uma mulher extraordinária, com uma energia exuberante. Fez todos os desportos. todas as viagens. Mas a principal aventura foi a introdução em Portugal do parto sem dor.

Nasceu a 20 de Maio de 1908, em Lisboa, na freguesia dos Anjos e lembrava-se dos tempos de I Grande Guerra, "da falta de géneros e das bichas que havia às portas das mercarias e de todos os sítios em que vendiam géneros alimentícios".

Cesina Bermudes acreditava na reencarnação. "Das minhas anteriores reencarnações não me lembro de nada.Mas nós temos tanta coisa que fazer neste mundo que não há possibilidade de o conseguir numa única vida.É muito mais inteligente que tenhamos vidas sucessivas para ir aprendendo a evolução, porque não há só a evolução física que o Darwin pôs em evidência. Há também uma evolução psíquica, dos sentimentos, dos pensamentos, das intuições, das criações. Como é possível chegar a criar uma sinfonia, a criar a ideia de uma catedral se as pessoas não tiverem já vindo cá várias vezes a este mundo para se teinarem na ideia da arte ou de qualquer outra coisa? Como é possível ser um místico, como um S.João da Cruz ou um S.Francisco de Assis, se as pessoas não tiverem vindo aprender a ideia da fraternidade?"

Em 1954 vai para Paris estudar as técnicas do parto sem dor . Segundo ela era"absolutamente inconcebível que um acto perfeitamente fisiológico e natural fosse doloroso na mulher e fosse natural nas outras fêmeas mamíferas. É uma questão psicológica, mas para chegar a esta conclusão foram precisos uma quantidade de sábios. Só ao fim de muitos e muitos anos de medicina é que foi possível descobrir a importância do psicossomático no comportamento humano."

Quando lhe perguntaram em que ser gostaria de reencarnar na próxima geração, respondeu:

"Se calhar voltava a ser médica. Em todo o caso será uma profissão liberal, porque é aquela que se pode fazer o que se entende dever fazer. Precisava de uma rencarnação para me formar musicalmente. Nesta reencarnação desenvolvi, principalmente a capacidade de investigação científica. Sob o ponto de vista literário e desportivo também foi útil. Agora do ponto de vista musical não serviu para nada.".

Muito havia para dizer acerca desta mulher franzina, com passo apressado e o penteado de sempre: uma trança a emoldurar-lhe o rosto miudo e o olhar vivíssimo.

Esta é a homenagem singela duma mulher que jamais a esquecerá.

Soube que Cesina Bermudes partiu há quatro anos. Mas Cesina Bermudes continua entre nós.

Bem-haja!


Leonor Costa

DRA. CESINA BERMUDES


Cesina Bermudes pioneira do parto sem dor em Portugal, quando do seu doutoramento em Medicina

PARTO SEM DOR


Pedro Monjardino, Cesina Bermudes e Seabra Dinis, esforçados pioneiros do "parto preparado" em Portugal

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

MÃE

Eu hoje sou pequenina, Mãe vem dar-me um beijo como era teu costume. Neste dia sinto muito a tua falta. Talvez nunca te tenha dito quanto eras importante para mim, desculpa.

A tua menina está a ficar velha, Mãe! Já tem alguns cabelos brancos e algumas rugas que as lágrimas e o tempo lhe ofereceram mas continua sempre a ser a tua menina, a menina a quem tanto amas-te…

Tenho saudades de ti, Mãe… Anda, vem dar-me um beijo…

À noite, quando me deitar, vou fechar os olhos e sorrindo, recordar como era bom adormecer nos teus braços.

Obrigada por tudo, Mãe.

Tua filha que te ama


Leonor

domingo, 21 de agosto de 2005

LIANOR


Na Fonte Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor

Nisto estava Lianor
o seu desejo enganando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor

O rosto sobre uma mão
os olhos no chão pregados
Que de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão

Na Fonte Está Lianor
lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor


José Afonso

A MINHA ANDORINHA

Quinta-feira, Junho 23, 2005


Aquele andorinha negra que sobrevoa a minha janela, hoje estava poisada no fio eléctrico que atravessa a minha rua, como se esperase por mim. Parei, surpreendida com tantos chilreios e cantorias, olhei para cima e cumprimentei-a. Pareceu gostar e conversamos, embora em idiomas diferentes. Mas entendemo-nos! A simpatia foi recíproca. Agora ela continua na minha rua, no meu quintal e creio que já somos amigas!

* * * * * * * * * * * *

A minha andorinha partiu e não se despediu de mim...


Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem, volta amanhã.

José Afonso



sábado, 20 de agosto de 2005

QUANDO TE SENTIRES PERDIDA

Quando te sentires perdida
Fecha os olhos e sorri
Não tenhas medo da vida
Que a vida vive por si.


António Gedeão

DESIDERATA

Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Sem seres subserviente, mantem-te tanto quanto possível, em boas relações com todos. Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros , mesmo que menos dotados e ignorantes; também eles têm a sua história. Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito. Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso e melancólico porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti. Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos. Põe todo o interesse na tua carreira ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo. Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isso não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo. Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque, em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva. Toma amavelmente o conselho dos mais idosos renunciando com graciosidade às ideias da juventude. Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita. Mas não te atormentes com fantasias. Muitos receios surgem da fadiga e da solidão. Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo. Tu és um filho do universo e, tal como as árvores e as estrelas, tens direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é-te disto revelador. Portanto, vive em paz com Deus seja qual for a ideia que Dele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma. Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso. Sê cauteloso. Luta para seres feliz.

Encontrado numa Igreja em Baltimore

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

terça-feira, 16 de agosto de 2005

LONGE



Tua voz vem lá de longe
No sussurro destas águas
Onde eu, ao fim do dia,
Vou lavar as minhas mágoas.

Sinto em mim tua presença,
Trago-te na alma, a sonhar,
Tua voz na voz do vento,
Canta para me embalar.

Canta-me canções tão belas,
Duma cadência tão triste,
E os meus olhos choram, choram
Como quando tu partiste.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

A D. MICAS

Desde pequena que conheço a D. Miquelina, a D. Micas, como carinhosamente lhe chamamos. É vizinha dos meus avós e sempre viveu só. Solteira por opção, quando um dia lhe perguntei por que não tinha casado, respondeu-me com os olhos muito arremelgados: "Credo, menina! E eu lá quero aturar homem?! São todos iguais!". Bom, está no seu direito, embora eu não esteja de acordo com ela. Não querer aturar homem é uma coisa, agora que sejam todos iguais... E as mulheres não são todas iguais? A seguir este critério então vivíamos num mundo de "risca ao meio": homens para um lado, mulheres para o outro. Nada de misturas, todo o mundo solteiro e desimpedido que é como quem diz : "cada macaco no seu galho" (passe a expresão...).

Bem, mas voltemos à D. Micas, que é uma óptima pessoa. Logo pela manhã, bem cedo, alegre e a cantarolar, arruma a casa que, embora modesta, é deveras acolhedora pois em cada coisa ela põe o seu cunho pessoal: as cortinas com renda, os naperons, as toalhas bordadas e a colcha da cama que é lin....da! É muito prendada a D. Micas. No seu tempo ainda as meninas aprendiam a fazer destas coisas... E quando diz isto exibe a primeira rendinha que fez quando tinha sete anos. Até o tio a mostrou às colegas que quase não acreditavam nas habilidades da sua menina... Os tempos eram outros! Ainda hoje tem gosto em fazer coisinhas para oferecer e eu que o diga pois ajudou-me a fazer o meu enxoval e, de vez em quando, dá-me um miminho...

Esta senhora tem um carinho muito grande pelas suas plantas, com quem fala como se fossem pessoas enquanto as rega, tirando com muito cuidado as folhas secas. E estão bem bonitas, sim senhora! Como velhos companheiros tem a gatinha Mimi e o canário Licas. À gata só falta falar e o canário é um cantor de primeira.

Mas eu gosto é de ouvi-la a comentar as telenovelas:" Ó vizinha, já viu aquele malandro?! Coitada da pequena que é tão boa rapariga e tem tão pouca sorte!...". Claro," os homens são todos iguais"... E assim, entre a realidade e a fantasia lá vai vivendo a D. Micas, mulher alegre e estimada lá no bairro onde nasci. Se ela não existisse ele ficaria a perder. Ela já faz parte da sua história.

Ontem disse-me: "Ai menina, como o tempo passa! Ainda outro dia te trazia ao colo e te contava histórias para ver se comias um pouco melhor, e já és uma senhora casada! Valha-me Deus!". Pois é... o tempo passa e bem precisamos que Ele nos valha porque esta vida está um caos. O planeta inteiro anda de pernas para o ar, está tudo numa confusão! Ainda sou muito nova para dizer que no meu tempo é que era bom, mas já passaram por cá alguns aninhos suficientes para ver que isto não está nada bem, isso é verdade... Com todas as calamidades que assolam a terra, incluindo a falta de água, o que me preocupa bastante, ainda temos de virar camelos para atravessar este deserto!... Valha-nos Deus, sim!

Perdoem-me este aparte, mas digam lá se não tenho razão... Confesso que ando a ficar até angustiada... Quando chegar à idade daquela senhora não sei se ainda me restará alguma alegria assim como ela tem... Precisamos de muitas Micas bem dispostas e confiantes de que algo ainda nos vai valer! Entretanto vou ouvindo as suas histórias sempre que visito os meus avós e isso faz-me bem, distrai-me. É isso, ao fim e ao cabo continuo a ouvir as histórias da D. Micas, agora não para comer mas para me ajudarem a digerir os maus bocados desta vida... Ao fim de tantos anos ela é como se fosse da minha família.






domingo, 14 de agosto de 2005

QUEM ME DERA...


Quem me dera viajar para um lugar sem nome... num sítio desconhecido... num país por inventar...

sábado, 13 de agosto de 2005

CÁ ESTOU EU!

Como é meu costume, cá estou eu a desejar-vos um bom fim de semana e boas férias para quem vai agora. Eu fico por cá... Beijinhos!...

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

CRÊ



Tu que sonhas com um mundo de beleza
E o trazes, palpitante, em teu olhar,
Caminha firme em frente, na certeza
De que a vida tem muito para dar

Vai, transforma o teu sonho em realidade
Inda que aches no caminho escolhos.
A vida, pra ser vida, na verdade,
Tem de ser lírios abraçando abrolhos!

Nunca julgues que a vida não é bela
Ainda que a noite seja fria e escura.
Se houver tristeza rasga uma janela…

Vês o céu? As estrelas vão regressar…
O sonho há-de vir em tua procura
E tu aprenderás de novo a sonhar!....

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

SEU NOME MARIA ROSA...


Maria Rosa não era uma mulher bonita, mas mesmo com o avançar da idade, mantinha um encanto especial que lhe era dado pela sua simplicidade cativante com a qual conquistava quem dela se abeirava.

Nascida naquelas terras distantes do Minho reflectia nos seus olhos as paisagens de lugares verdejantes e aprazíveis que fazem bem à alma e a purificam da vida agitada das cidades. Os seus cabelos entrançados tinham o perfume da alfazema e alecrim.Movia-se com graciosidade, falava com o acento característico do seu lugar e era bom escutar as suas gargalhadas sadias e contagiantes. Sempre pronta para ajudar os mais velhos, onde fosse necessária não faltava com palavras carinhosas e gestos genuínos duma alma nobre e dum bom coração, o que a tornava a menina querida de todos.

Seus pais já tinham morrido e, desde muito nova Maria Rosa vivia acalentando o sonho de toda a rapariga: casar e constituír família. Rapazes não lhe faltavam pois com seu jeito gracioso suplantava a beleza das outras moças lá do lugar.

E um dia ele apareceu. Chamava-se Pedro e conquistu o coração da cachopa. Faziam um bonito par, toda a gente dizia e casaram. Foi a boda mais linda que por ali alguma vez se tinha visto! No seu vestido branco ela era o alvo de todas as atenções. O noivo, rapaz bonito, olhava-a com um misto de ternura e admiração. As outras raparigas reviam-se nela e sonhavam com um dia assim . Quando chegou a altura da noiva atirar o ramo o entusiasmo cresceu e era vê-las , de braços levantados, aos gritos, competindo entre elas para ver quem o apanhava e seria a próxima a casar, segundo a tradição!

Um... dois... três! Lá vai o ramo! Uma moça trigueira dá um salto e apanha-o! Depois, ofegante e corada, olha de soslaio para o seu prometido. Como dispara aquele coraçãozinho... como é bela a mocidade! Palmas, gargalhadas e alegria por todo o lado! Por instantes as atenções dos presentes desviaram-se da noiva para se concentrarem nela que, ao sentir-se o alvo de tantos olhares, ainda corou mais escondendo o rosto com as flores.

As mais velhas recordavam a sua juventude e viam-se retratadas em Maria Rosa. Rosinha era agora uma mulher casada. Quem diria! Como o tempo passou! Ainda outro dia cabia na palma de uma mão...

Ela e Pedro viveram felizes o seu amor e um dia veio o primeiro filho, um rapaz. Chamaram-lhe Miguel. Ficava-lhe bem o nome! Com os olhos da mãe e muitas parecenças ao pai, era a opinião de todos. O garoto cresceu, são que nem um pero . Era traquina, o malendreco, mas saía-se sempre bem...

Quando ele tinha dois anos, Maria Rosa voltou a ficar de esperanças.

Agora veio uma menina. Essa sim, era a cópia fiel da mãe! Até os olhos eram iguais, com a mesma expressão. Seu olhar era meigo, indescritivelmente meigo e até lhe chamavam "a menina dos olhos de veludo"!...

E Maria Rosa agradecia a Deus tão grande dádiva que lhe era concedida através dos fllhos e do amor do seu companheiro que também era um homem feliz e realizado. Vivia para a mulher e para os miúdos . A vida corria-lhes bem, eram felizes.

O tempo passou, as crianças já não eram mais crianças, cresceram, tornaram-se adultas e abriram as asas para novos voos. Miguel estudou e foi para França trabalhar. Uma vez por ano visitava a família e passava as férias com os pais.

Margarida, a rapariga, que tem nome de flor como a mãe e herdou o seu amor à terra e o gosto pelas coisas simples da vida, casou. João foi seu colega em Lisboa quando andava a estudar. Foi amor à primera vista e dali ao casamento foi um passo. Foram viver para Lisboa, a terra dele e eram felizes embora um pouco do coração dela tivesse ficado preso ao seu lugar.

Maria Rosa e Pedro ficaram sós, sempre apaixonados como no primeiro dia., Dava gosto vê-los.

Mas um dia, há sempre um dia em que a roda da vida desanda, e a vida deles mudou. Sem se fazer anunciada a desventura entrou, repentinamente, naquele casa. Pedro morreu deixando a mulher entregue ao desespero. Com os filhos longe a solidão de Maria Rosa era grande. Por vezes deambulava pela casa vazia, despojada dos gritos e correrias das crianças, sem o riso do seu Pedro. A casa não era a mesma, jamais seria e ela sofria em silêncio aquele enorme vazio. Que era feito do seu sonho?

Agora quando sorria era para esconder um rio de lágrimas que lhe corria por dentro da alma.

Como todas as rosas ela também tinha os seus espinhos ...

Seu nome Maria Rosa, tem o perfume de flor...


terça-feira, 9 de agosto de 2005

HOJE E AMANHã


Hoje
Eu queria pegar em mim
E deitar-me fora…
Queria tecer com meus nervos
Uma rede para descansar.
Queria ser barco
Ao sabor das ondas a vogar…
Ah, deixar correr o tempo
Sem disso me aperceber!...
Esquecer-me de mim…
Serenamente adormecer…

Hoje
Eu queria pegar em mim
E deitar-me fora…

Amanhã
Eu queria nascer outra vez…
Uma alma nova, um novo ser!
Algemas quebradas
Ressurgir do nada.
Ah, pudesse minha vida ser
Em cada dia que passa
Uma constante alvorada!

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

PARA TODOS VÓS


E um bom fim de semana

terça-feira, 2 de agosto de 2005

VINICIUS DE MORAES DISSE...

Vinícius de Moraes disse um dia:

“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida… mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre…”