sábado, 29 de julho de 2006

SOMENTE..


... uma rosa e uma melodia, para todos os que por aqui passarem...


sexta-feira, 21 de julho de 2006

ISTO SÓ COMIGO!...

Talvez pensem que, com estes desabafos, sou exagerada ou tenho a mania da perseguição, mas não faz mal, não me importo.

Então escutem-me, deixem-me desabafar antes que estoire...

Com este calor horrível passo os dias a "destilar" e quando a noite chega só penso em descansar. Rima e até é verdade. Pois é... o pior é que "de boas intenções está o inferno cheio", sempre ouvi dizer. E o meu começa precisamente quando começam as minhas boas intenções de descansar. Na melhor das hipóteses, se já passou o carro do lixo e a canzoada cá do sítio, depois de ter ladrado a plenos pulmões, se aquietou, o meu descanso mantém-se até às duas da manhã. Sim... porque depois começa a dança...

Não sei o que se passa na cabeçorra do cão da vizinha da frente para passar o resto da noite a arrastar o prato de plástico, como um condenado arrasta as grilhetas. Por outro lado, a minha cadela, que também anda a sofrer de insónias, passeia-se pela casa batendo com as "sandálias" (entenda-se "unhas") pelo soalho. Isto quando não se lembra de protestar contra qualquer coisa e desata a ladrar. Aí temos o caldo entornado, que é o mesmo que dizer: adeus descanso!

Espero pelas seis horas da manhã e levanto-me porque já não aguento mais tanta "turbulência". A minha cabeça parece um melão amachuado... É verdade! Não sei se já vos aconteceu... Ao chegar à cozinha, onde vou buscar um bolinho porque já sinto o estômago pegado às costas, oiço o galo da vizinha das traseiras, tão rouco que até impressiona. As primeiras notas saiem todas fora de tom. Por fim, depois de alguns ensaios, lá consegue pôr cá fora a cantiga. Será que tambem sofre de insónias?... De seguida ouvem-se as rolas, os passarinhos, os pardais e outras coisas mais, tais como os autocarros, os automóveis e até o combóio de Chelas.

E a minha cadela dorme... E o cão da minha vizinha da frente dorme... E eu penso: isto só comigo... Sabem o que vos digo? Se quiserem um animalzinho para casa optem por um gato. É muito mais silencioso.

E pronto, acabei. Aproveito para vos desejar um óptimo fim de semana.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

AURORA BOREAL

Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia.
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e os choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.


António Gedeão

segunda-feira, 10 de julho de 2006

A FOTO

Aqui eu tinha 19 anos. Era uma garota introvertida e cheia de sonhos como todas as jovens.

Gostava muito de tirar fotos mas para isso precisava de dinheiro. Como andava a estudar ele não abundava, como devem calcular. Tinha de fazer um mealheiro. Quando juntava o suficiente lá ia eu.

Um dos ídolos desse tempo era a Madalena Iglésias de quem eu vi uma foto que me fascinou. Estava com um vestido de renda escura que eu achei lindíssimo. Logo pensei tirar uma com um vestido semelhante, ou um que desse o mesmo aspecto. Mas não tinha nenhum. Então achei que um dos vestidos duma colega seria o ideal. Ela emprestou-mo mas, como era um pouco mais baixa, ele ficava-me por cima dos joelhos e, nessa altura, não se usava mini-saia. Mas não me atrapalhei. Vesti um casaco por cima, sem me lembrar que era a três-quartos… Penteei-me a rigor e tive o cuidado de revirar as pestanas, pois fazia questão de que se vissem. Estava pronta para a foto.

Esperei ansiosamente pelo dia em que ia buscá-la , mas não contava com a desilusão que me esperava. Mas onde estavam as pestanas que me tinham dado tanto trabalho? Tive de me conformar porque tudo o resto estava perfeito. Até o vestido!

Coisas da juventude!...

terça-feira, 4 de julho de 2006

MAIOR FOSSE O DIA... - 2ª. parte

Voltei à Escola, assisti a mais duas aulas, uma de inglês, onde um bocadinho ensonada, devido à noite mal passada e a fazer a digestão do almoço, o que me deu um certo quebranto… Quebranto?!... É assim que se diz?... Bem, vocês percebem… Adiante! Como estava ensonada, respondi em francês, em vez de inglês. Bolas…- pensei eu, e fiquei a ver se a coisa passava. E passou… Falei baixo ou havia muito barulho, não sei bem. Passou e prontos!

Quando as aulas terminaram, tic, tic, tic, lá vou eu para a paragem do autocarro. Ele chegou, eu entrei, mas desta vez não havia ar condicionado nem música. Avancei por ali dentro, no intuito de me sentar e deparo com duas senhoras trocando as impressões habituais “do quem sai primeiro”. Era só o que me faltava! De repente o carro arranca, faço uma pirueta, dou um safanão na senhora que estava atrás de mim que, por sua vez, se desiquilibra também e bate noutra que quase vai cair no meio da coxia. Que mais me irá acontecer?! Por essa altura já estava a soltar fumo pelas ventas qual dragão e, quando voltei à posição normal, consegui sentar-me.

Entretanto, começam as conversas das “comadres”. E as conversas são como as cerejas, vêm uma após outra. Começaram pela condução do motorista, passando pelas doenças, filhos e o que mais vier à baila. Estes são os temas favoritos das mulheres. E falo no feminino, porque são as mulheres, sem dúvida, quem fala mais. Uma dizia: “Olhe lá para a condução deste gajo! É assim que elas acontecem!”. A outra respondeu, com ar furioso: “E andamos nós a pagar para isto!” Só não falam nos ordenados chorudos dos futebolistas… Adiante! Há uma outra que fala em operações: “Aqui onde me vê, já tenho sete anestesias no corpinho!”. Fiquei a saber que duas foram para cesarianas; outra para operação à coluna; outra para a da vesícula e já não me lembro das restantes porque a minha vontade era anestesiar a língua da senhora, pois tinha um tom de voz estridente, que me feria o tímpano. E as conversas lá prosseguiram. Bem… pelo menos ia sentada, embora o calor dentro do carro apertasse. E se abrisse a janela…ou melhor, ou “postigo”… Logo salta a de trás, toda indignada: “Não pode ser! A corrente de ar faz-me mal à garganta!”. Mas qual corrente de ar?!... Fecha a janela e não retroques, pensei eu E lá aguentei o calor. O que me valeu foi o leque e a garrafinha com água que trago sempre na mala. Mulher prevenida, vale por duas, sempre ouvi dizer… Quando já me tinha resignado, eis que toca o telemóvel da do lado. Incrível, que barulheira! Até estremeci. “Tou! Tou!” – atende a dita cuja senhora, em alto e bom som. “Vou no autocarro! Estou na Av. Infante D.Henrique!” Puxa… é preciso gritar daquela maneira?!

Efectivamente, estávamos na tal avenida e o motorista entra na ponte em grande estilo. Até parece que ia num avião em descolagem… Os motoristas novos carregam bem no acelerador, já repararam?

Ze………. ze…………. ze……….., lá vamos nós! Ah!!!... foi por um triz que não deu uma pancada no da frente! Fui lançada para diante, quase bati com os queixos no outro banco, depois para trás, batendo com toda a força com as costas, Aí, já farta de tanta coisa. Resmunguei entre dentes.” Porra…,tirem-me daqui…”. Gerou-se uma confusão dos diabos porque tudo o que uma fulana levava o saco do supermercado se espalhou pelo chão . Agora era ver a malta, de rabiosque para o ar, tanto quanto o espaço permitia, a apanhar, solícita, a mercadoria enquanto insultavam o motorista.

Finalmente cheguei ao destino. Furei por entre as pessoas e lá consegui sair. Mas não era tudo! Uma mãe ficou com a criança dentro do carro porque o motorista fechou a porta antes de tempo. Nem queiram saber o que para ali foi… Abriu o vocabulário e zás! Mesmo depois do miúdo sair e da porta fechada, foi atrás, de punho cerrado, dando murros no autocarro e ameaçando o pobre coitado do motorista que já devia de estar totalmente “envinagrado”.

Depois desta odisseia, entrei em casa e ouvi: “Caramba, nunca mais chegavas!”

Cala-te boca…