segunda-feira, 29 de outubro de 2007

SEM LEGENDA

Eu aprendi...
... que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo.

{WILLIAM SHAKESPEARE}

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

COMO É POR DENTRO OUTRA PESSOA


Como é por dentro outra pessoa

Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo

Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma

Senão da nossa;

As dos outros são olhares,

São gestos, são palavras,

Com a suposição de qualquer semelhança

No fundo.






Fernando Pessoa, 1934

sábado, 20 de outubro de 2007

QUANDO SE FALA DE AMIZADE.

Ai amiga! Falar de amizade,
Nem sempre é bem contido
Porque para além da verdade,
Há o que esconde o sentido…

Poucos sabem como definir
Um sentimento tão belo
Amizade está no sol a sorrir
Está na lua, no que é singelo…

Ter um amigo, é uma riqueza
Que é necessário bem guardar
Respeitando a pureza
Porque amizade é como amar…

Amor de amigo, é o maior do mundo
Tem todos os encantos das flores
Afaga o nosso suspiro profundo
E seca nossas lágrimas de dores…

Mas quem sou eu afinal
Para falar de amigos?
Alguns já me fizeram mal…
Foram verdadeiros perigos….

Não seriam bem amigos,
Talvez gente interesseira,
Mas deram-me muitos castigos
De que sofro a vida inteira…

Mas Amizade é uma beleza
E saúdo-a na sua verdade
Porque ainda há pureza
Nos que nos deixam saudade….


Mil beijos da amiga
Isabel do Carmo

sábado, 13 de outubro de 2007

BOM FIM DE SEMANA


"Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo.
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa! "

Alexandre O'Neill.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A VIDA SEGUE LÁ FORA


Quando tu apareceste, eu estava esquecida
nos perdidos e achados da vida
mas sentia-me bem com a cabeca arrumada
não sentia falta de nada
Avisei-te à partida que haver algo entre nós
era melhor ter cuidado
queria viver o presente
queria esquecer o passado
Portanto nao me acuses da dor
que dizes sentir agora
deixa-me só no meu canto a vida segue la fora
Quando tu apareceste, eu estava a sair
dos perdidos e achados da dor
eu sentia-me bem com o corpo a descansar
dos altos e baixos do amor
Avisei-te à partida que um caso entre nós
era sempre perigoso
o meu passado recente, tinha sido doloroso
Portanto, nao me acuses da dor que dizes sentir agora
deixa-me só no meu canto
a vida segue la fora
Lucia Moniz

domingo, 7 de outubro de 2007

ABRE-ME A PORTA



Abre-me a porta, quero entrar e ver,
De novo, o canto onde eu nasci, há tanto;
No teu regaço, Mãe, adormecer
Num sono repousante, puro e santo!
Abre-me a porta; quero percorrer
O lar onde brinquei, e, canto a canto,
Buscar o bem melhor do meu viver
Que se ficou na infância, toda encanto!
Continuarei assim pela vida fora,
A reviver, saudoso, a toda a hora,
O tempo duma vida descuidada...
Hoje, tudo é saudade e até tristeza...
Tudo se envolve em trágica incerteza...
É tudo vão e pó! É tudo nada!...
************* *************
Fui ver Alfama. Fui ver a casa onde nasci às 7 horas duma manhã de Agosto, ao som do pregão da fava-rica, segundo me dizia minha Mãe. Cheguei a este mundo no último andar do prédio cor-de-rosa, no quarto da direita. Aí soltei o meu primeiro grito, enchendo os pulmões com o ar de Alfama! Da "minha" Alfama! Que é feito dela? Que saudades... Se alguém a conheceu antes e agora passar por lá, vai entender-me.
Encontrei na net estes versos que me tocaram de modo muito especial e que achei ideais para explimir aquilo que me vai na alma:
"Abre-me a porta" - José Lopes de Araújo

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

AO PÔR-DO-SOL


Com o pôr-do-sol morrem os meus sonhos,

Cansados de tão longa espera

E as lágrimas deslizam pelo meu rosto.

Quem dera que meu pranto levasse a minha mágoa

E o desencanto de te ver só no meu horizonte.

A esperança é uma flor que murchou

E cujas pétalas desfolhei entre meus dedos.

Nada me resta a não ser a cumplicidade

Que existe entre mim e o pôr-do-sol.

Leonor C.