quarta-feira, 29 de junho de 2011







Tenho quarenta janelas
Nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
Posso ver através delas
O mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do sol,
Por outra a luz do luar,
Por outra a luz das estrelas,
Que andam no céu a rolar.

Pela maior entra o espanto,
Pele menor a certeza,
Pela da frente a beleza,
Que inunda de canto a canto.

Pela redonda entra o sonho,
Que as vigias são redondas,
E o sonho afaga e embala
À semelhança das ondas.

Todos os risos e choros,
Todas as fomes e sedes,
Tudo alonga a sua sombra
Nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
Quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
Falta-me a luz e o ar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

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"Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.".