sábado, 21 de julho de 2012

José Hermano Saraiva





Funeral de José Hermano Saraiva realiza-se hoje
Por Redação A- A A+




O funeral do historiador José Hermano Saraiva, que morreu ontem, vai realizar-se este sábado no cemitério de Palmela depois de uma missa de corpo presente, às 14 horas, na Igreja do Convento de Jesus em Setúbal.
José Hermano Saraiva, recordado pelo secretário de Estado da Cultura como «um grande comunicador e divulgador da História e da cultura de Portugal», morreu ontem na sua residência em Palmela, aos 92 anos de idade.
O professor, nascido em Leiria a 3 de outubro de 1919, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas e em Ciências Jurídicas na Universidade de Lisboa, em 1941 e 1942, respetivamente.
José Hermano Saraiva era uma das figuras mais conhecidas e influentes na área da História de Portugal, e seus os conhecimentos nesta área levaram-no a dirigir programas de cultura na televisão, nomeadamente na RTP, destacando-se a sua atitude peculiar e carismática.
Começou com «Horizontes da Memória», mas outros programas se segiram, tais como «Gente de Paz», «O Tempo e a Alma», «Histórias que o Tempo Apagou» e «A Alma e a Gente».
Para além da televisão, o professor - que também concluiu advocacia -, distinguiu-se nos livros. Destaca-se «História concisa de Portugal», na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos; mais tarde, em 1981, seguiu-se uma outra compilação, de seis volumes, sobre a História de Portugal publicada pelas Edições Alfa.
Outras obras se contam, entre elas «Uma carta do Infante D. Henrique», «O tempo e alma», «Portugal - Os últimos 100 anos», «Vida ignorada de Camões» e «Ditos portugueses dignos de memória».
Na esfera política, José Hermano Saraiva destacou-se, durante o período do Estado Novo, como ministro da Educação, entre os anos de 1968 e 1970, tendo enfrentado a revolta estudantil em Coimbra (1969). Em 1972, foi embaixador de Portugal em Brasília.
José Hermano Saraiva foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho, a Comenda da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa e a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (Brasil).


sábado, 14 de julho de 2012

PROCURA-SE UM AMIGO





.PROCURA-SE UM AMIGO

Vinícius de Morais




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos. Que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Não digas nada!






Não Digas Nada! Não digas nada!

Nem mesmo a verdade

Há tanta suavidade em nada se dizer

E tudo se entender —

Tudo metade

De sentir e de ver...

Não digas nada

Deixa esquecer



Talvez que amanhã

Em outra paisagem

Digas que foi vã

Toda essa viagem

Até onde quis

Ser quem me agrada...

Mas ali fui feliz

Não digas nada.



Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"