quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

IKEA


Crónica de Ricardo de Araújo Pereira!
 

  Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. 
O que digo é que
não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A
questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles
caros. Os problemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja.

  Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»?

  São ambiguidades que me deixam indisposto. Não saber a pronúncia
correcta do nome da loja em que me encontro inquieta-me. E desconhecer
o género a que pertence gera em mim uma insegurança que me inferioriza
perante os funcionários. Receio que eles percebam, pelo meu
comportamento, que julgo estar no «I quê à», quando, para eles, é
evidente que estou na «Iqueia».

  As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também
conceptuais. Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis
baratos, o que não é exactamente verdadeiro.
  O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo
correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de
transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos.

  Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava
bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e
que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos.

  Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta
de carga para carregar a tralha toda até à registadora.

  Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá
sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada.

  O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho
doze estantes e três hérnias. É claro que há aspectos positivos: as
tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga
os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes
se sinta que não faltará muito para que isso aconteça.
  Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente
receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na
Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que
considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira
engraçada.

  Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que
comprei chegaram a casa em duas vezes.

  A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a
segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no
trabalho que tinha sido iniciado pela primeira.

  Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou
com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me
importaria. Mas como sou eu, aborrece-me um bocadinho.
  Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem
umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não
encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio
moderno.
  Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é
este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e
junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções.
  Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro.  E os
suecos que montem tudo, se quiserem receber.



Leonor

 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Sorria! Está a ser filmado!

Não há nada como um belo sorriso para começar o seu dia!
Sorria.... pode estar a ser filmado!!!!!





Leonor
 

 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Andorinha negra

 
 
 
 
 
 
 
 

 Leonor         

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CANÇÃO


CANÇÃO

Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!

Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!

Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!



FERNANDO PESSOA




 Leonor    



 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

QUANDO TE VI

 
 


 



A manhã era clara, refulgente

 Uma manhã dourada. Tu passaste. 

 Abriu mais uma flor em cada haste. 

Teve mais brilho o sol, fez-se mais quente. 


 

 E eu inundei-me dessa luz ardente. 

 Depois não sei mais nada. Olhei ... Olhaste ... 

 E nunca mais te vi ... - Raro contraste - 

 A madrugada transformou-se em poente. 


 

 Luz que nasceu e apenas cintilou ! 

 Deixou-me triste assim que se apagou, 

às vezes fecho os olhos; vejo-a ainda ... 


 

 E há tanto sol dourando esses trigais ! 

Olhaste, olhei, fugiste ... Ai nunca mais, 

 nunca mais tive outra manhã tão linda ! 


 

 VIRGÍNIA VITORINO




        Leonor      
 

 

domingo, 6 de janeiro de 2013

FERNANDO PESSOA

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não me esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo e que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
 
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
 
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."