
Quando vieste,
Minha linda,
Há um - o mais vermelho e mais ardente -
Que espera ainda ansiosamente
A tua vinda...
Só ele resta agora, entre os irmãos
Já desfolhados...
Só ele espera piedosas mãos
- As tuas lindas mãos e os teus cuidados -
Lhe dêem, numa pouca de água clara
E enganadora,
Uma ilusão da vida que animara
O seu vigor de outrora...
Mas que outro está, da hora em que o cortaste
Ainda em botão!
Murcham-lhe as pétalas e tem curva a haste,
Num grande ponto de interrogação...
Voltado para a porta em que surgiste,
Na noite perturbante em que o trazias,
Parece perguntar porque partiste
... E porque não voltaste, há tantos dias!?...
Augusto Gil - Sombra de Fumo
5 comentários:
Querida Leonor!
Agora pregaste-me um susto!
Comecei a ler este poema e a certa altura pensei:
Mas como estava inspirada a Nokas. Isto é um poema a sério!
Só um pouco mais tarde verifiquei que era do Augusto Gil.
ah ah ah
Boa escolha!
Obrigado pelo comentário que escreveste em relação à minha história do menino da mamã.
De facto, tenho a noção de que algumas destas "short stories" que tenho vindo a escrever me tem saído bem.
Beijinhos
Olá, Leonor!
..."porque partiste e não voltaste?"
Bonito poema!
Bjs
O REGRESSO
Os amigos insistiram no regresso do “BEJA”.
O desejo íntimo também era grande…
Porque não dar vida de novo a este projecto?
Além das notícias do Alentejo voltamos a ter outros
temas interessantes e sempre a lembrança dos
bons Poetas Alentejanos e não só.
Assim decidimos voltar e esperar o bom acolhimento
de sempre dos Amigos que aqui encontrei e dos
novos que porventura nos visitem.
Abraços amigos
Entrei sem ser convidado. Gostei e penso que entrarei mais vezes sem bater à tua porta.
Adoro Augusto Gil! Toda a sua poesia lírica como: "Luar de Janeiro", "Canto da Cigarra", "Balada da Neve", etc.
Como também gosto da sua fase satírica. Vejamos um poema dele produzido numa obra que eu possuo, que é a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, selecção feita por Natália Correia. Espero não me leves a mal eu reproduzi-lo para chegarmos à conclusão que já em princípios de 1900, época do puritanismo, era comum este tipo de poesia.
Pena é que nas escolas nos façam associar a um determinado poeta ou escritor somente a sua face
"rosada".
QUANDO O INTESTINO...
Quando o intestino
Arma em tenor
E canta fino,
Não há fedor...
Se o som é forte e é baritonal
E mal que rompa, de repente estaque
Temos o que na fúria intestinal
Se chama: traque.
Espalha um cheirozito, uma pitada
Que o beque surpreendeu mas não reteve:
Quase nada...
Coisa leve...
Se a tripa inteira corneteia e rufa
Num concertante
De ópera bufa,
Já não é simples sainete
Nem a sonância, nem o mais que expele:
É um cheirete
De alto lá com ele!...
Se o som, porém, é como o ai duma donzela
Que tem penas de amor e que as não conta aos pais;
Se põe na roupa a viva côr duma aguarela
E suja o rabo
Então cheira muito mais,
Oh, muitíssimo mais, oh alma do diabo!
Agusto Gil
Perdoa-me não me ter despedido no comentário anterior, pelo que o faço agora.
Um beijinho
do Pepe.
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