
Vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá
Vê " aquilo" esmoreceno, sem força pra levantá.
As carne vão sumíno, vai parecendo as véia
As vistas diminuíno e cresceno a sombrancêia
As oiça vão encurtando, vão aumentando as orêa
Os ovo dipindurando e diminuíndo a pêia.
A veíce é uma doença que dá em todo o cristão
Dói o braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.
Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece
Vai passando pelas ruas e as "minima" se oferece
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro pra casa, ou procurando INSS.
No tempo que eu era moço, o sol pra mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava
As minina mais bonita da cidade eu bolinava
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava,
Mas tudo isso passô, faz tempo, ficô pra tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz
Pra falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.
Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça
Pega a muié vai pra cama, aparpa, beija e abraça
Porém só faiz duas coisas:
sorta peido e acha graça.
Enviado por e-mail
Poesia caipira de autor desconhecido
3 comentários:
Viva , antes demais quero agradecer a visita e as palavras , singelas mas sentidas , tanto assim que aqui estou a retribuir , e espero que continue-mos a correspondência ...
Gostei da poesia , mas principalmente do ilustrado ...
Votos de uma óptima semana .
Muito, muito engraçada e imagem... de uma beleza indizivel... quando o tempo não marca distância, é sempre belo... quanto ao poema, é realmente muito interessante, bem observado.
Uma semana com muitos escritos no intervalo das amendoas...
Beijinhos
Amei
Enviar um comentário