
Quisera dizer à mocidade - espera!
Não tenhas pressa, fica mais um pouco!
Mas minha voz é um gemido rouco
E a vida não é mais que uma quimera.
Mocidade esvaída, pouco a pouco
Num tropel incessante que exaspera...
Ó Deus, tanto, tanto sonho louco!
Quimera alimentando outra quimera...
O tempo nunca pára na corrida,
Lançado à doida em íngreme descida
Nunca pode pensar voltar atrás.
Um jovemfica velho, num momento,
Instala-se no peito o desalento,
E viver ou morrer, tanto lhe faz.
6 comentários:
Hoje fui o primeiro, yupieeeee!
"Instala-se no peito o desalento,
E viver ou morrer, tanto lhe faz."
Quererá isto dizer que na velhice deixamos de "alimentar quimeras com outras quimeras"?
Seria o mesmo que deixar de regar as nossas plantas.
Eu quero continuar a alimentar quimeras com outras quimeras
e não quero envelhecer, apenas pouco a pouco ir chegando, como disse Régio, neste belo excerto do poema "Penumbra" que te deixo:
Não sei o quê. Mas vou chegando,
Pois que em meus lábios, minhas mãos, são restos de mal sei quando
Gritos e gestos.
Na tarde sossegada,
Sem armas, sem escudo,
Chegando a quê? Talvez a nada.
Talvez a tudo.
Bjs
Zé
Para:
Furão indisreto:
Não, não deixamos de alimentar quimeras mas o desalento toma conta de nós mais facilmente...Adoro o Régio
Lumife:
Obrigada pelo convite! Lá irei!
Fernando B.
Eu sabia que compreenderias...
Beijinhos para todos
Leonor
obrigada Nokinhas!
O tempo passa mesmo muito depressa, e é sempre preciso aprender a viver. mesmo com desalento
bj
falar em desalento
pode ser padecimento
ou apenas um tormento
que acaba com o sofrimento
(ena, nem sabia que tb fazia versos, só quer dizer que este blog é inspirador! e bonito)
Poesia verdadeira, métrica certinha e alinhada, tudo a condizer com a imagem.
Gostei tanto!
Bom soneto!
E o final é magnífico!
Beijinhos
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